domingo, 24 de julho de 2011

“Deus é real", afirma Rodolfo, ex-Raimundos, no Altas Horas.

O cantor evangélico Rodolfo, ex-Raimundos, esteve no programa Altas Horas da Rede Globo contando sobre sua conversão, o que ele tem feito, como é a relação dele com os integrantes da banda e se há ou não a possibilidade de retornar ao grupo que o consagrou na música na década de 90.

Sobre a sua conversão, que aconteceu em 2001, ele diz que foi a melhor coisa que aconteceu em sua vida. “Eu tenho vivido os melhores dez anos da minha vida”, disse o roqueiro que hoje é missionário.

Open in new windowSobre usar o rock para evangelismo, ele diz que o ritmo é uma ferramenta maravilhosa para se levar uma ideia. “Se eu tenho uma arma dessa nas mãos eu vou usá-la para levar aquilo que eu acredito e principalmente aquilo que surtiu efeito na minha vida”, disse Rodolfo.

Serginho Groisman questionou se somente as letras das músicas mudaram, e o cantor diz que mudou toda a sua vida. “As letras são só uma consequência de uma vida inteira mudada. Eu acho que com música você expressa quem você é e eu acredito em gente que canta o que vive.” Disse o cantor que afirmou que não existe a possibilidade dele voltar a cantar com o Raimundos.

Tatuagens

O cantor que é cheio de tatuagens diz que “não acredita que elas possam levar alguém para inferno”. Questionado se ainda enfrenta preconceito por parte dos evangélicos por ter tantas tatuagens pelo corpo ele diz que a pessoa tem que ser reconhecida pelas suas atitudes e lembra que quando Jesus andou pela Terra o que ele mais fez foi combater a religiosidade.

“E toda vez que eu vou pregar e eu tenho tatuagem e as pessoas veem isso, aquele cara que tem tatuagem e ouviu a vida inteira que ele não poderia ser nada na vida porque ele tinha uma tatuagem, ele fala, se aquele cara está pregando eu também posso pregar.

Mas eu acho que não é a nossa aparência que conta, é o nosso dia a dia, são os nosso frutos os frutos da nossa fé e eu acho que isso é mais importante que a nossa aparência.”

Conversão

Rodolfo conta que estava sob efeitos de drogas quando um grupo de oração foi até a sua casa e ele aceitou a oração. Sua esposa estava começando a se converter e aceitou fazer uma campanha de oração por sete semanas. Ele conseguiu fugir de três, mas na quarta ele estava tão drogado que ele esqueceu que naquele dia teria oração e naquele dia ele se converteu.

“Deus é real, é uma coisa que eu posso falar para vocês,” testemunhou o músico que agora prega e canta música com mensagens bíblicas. Ele diz que ele sempre aprendeu “que Deus era um cara que castigava”, e cresceu achando que Ele era ruim, mas quando ele ouviu falar do amor de Deus, ele se apaixonou.

“Eu creio que um relacionamento de amor, para ser fera, tem que ser recíproco, e se Ele deu a sua vida por mim, eu dei a minha vida por ele. E hoje eu vivo para servir a Ele.”
Fonte: folhagospel.com

Assista:

Segundo relatório


Graça e Paz!

Estou enviando meu Segundo relatório e talvez seja o último até eu chegar no Brasil.

Visitamos alguns bairros onde há pequenas congregações e algumas delas nem bancos para sentar tem. O desemprego aqui é muito grande e alguns que são empregados ganham menos de 250 reais para sustentar uma familia de mais de 6 pessoas, como por exemplo, um professor aqui ganha cerca de 200 reais por mes.

Estamos na capital. Os bairros nobres daqui tem aspectos fisicos inferiores ao do Santo Agostinho de Santa Cruz do Capibaribe.

O custo de vida aqui é altissimo. Cinco litros de água potável aqui custa 1.500,00 (mil e quinhentos francos safar) que equivale a R$ 6.00 (seis reais). Tudo aqui é muito caro. Trocamos nosso dinheiro e em pouco tempo ele some! Aqui não há fiscalização de preços e o vendendor vende a mercadoria pelo preço que quer. Conheci muitas casas que não há: luz, mesa, cadeiras, camas e nem siquer colchões para dormirem. Muitos guineenses vivem ociosos, principalmente os homens, porque aqui as mulheres pelo menos se ocupam com a familia. Todos os jovens daqui são muito inteligentes, gostam de estudar e todos falam mais de três idiomas, como por exemplo, francês, inglês, português e criolo ou fula. A Igreja Evangelica tem investido muito nas crianças e nos jovens na esperança que estes se coloquem na brecha para cooperarem na mudança desta nação.

O diabo tem escravisado e acorrentado muita gente aqui, temos orado muito para que a Luz do Evangelho resplandeça sobre os guineenses e as cadeias do inimigo caiam por terra e muitos sejam libertos pelo poder do Senhor Jesus.

Continuem orando pelos guineenses, seus olhos brilham quando falam do sonho de verem este país restaurado, dando a volta por cima.

Tive várias experiências aqui neste país. Vi senas chocantes mas também tenho visto a mão de Deus em toda parte.
Os guinEenses sentem-se muito amados pelos brasileiros e todos dizem que somos irmãos.
Há igrejas fortes aqui, como também igrejas pequenas.
Tenho muito o que compartilhar, pessoalmente, com todos vcs...

Sou grata a Deus pelas igrejas de Santa Cruz, Esperança, Remígio, Caruaru e Campina Grande que muito me ajudaram para que eu chegasse até aqui e visse com meus próprios olhos a miséria dos meus irmãos de sangue, pois sou descendente também do negro africano (É assim que os guineenses nos chamam: irmão!).

Termino compartilhando que o SENHOR tem sido muito bondoso e generoso para com a equipe do Projeto João 3.16! Desde o dia 16, todos as noites, temos usufruído de energia elétrica, temos água suficiente para nossas necessidades, nosso cardápio mudou um pouco (comemos até churrasco de carneiro!!!! rsrsrsrs oh glória!!!!!!!!) - Tudo isso tem sido fruto de vossas orações.


Estou com muita saudade de todos voces!!!!!!!!!!
Um fuerte abraço,
Maria Marques

sábado, 16 de julho de 2011

RELATÓRIO - BISSAU JULHO 2011


RELATÓRIO - BISSAU JULHO 2011.

Estamos todos bem. Chegamos à Bissau dia 05 de Julho, ás 13:30h (horário do Brasil 10: 30). Fomos recepcionados pelos pastores, Paulo Mendes e Carlos Alberto, como também pelas missionárias Jacione Laurentino e Ana Selma.

Os três primeiros dias foram de adaptação na cidade e arrumação da casa. Os primeiros desafios foram:

1 - Nossas malas que não chegaram junto conosco

2 - A temperatura marcando mais que 40 graus

3 - A falta de energia

4 - E a alimentação sempre a base de arroz

5 - Água racionada.

O povo guineense é muito receptivo. Há em Bissau, aproximadamente, 1.600.000.00 (Um Milão e seiscentos mil) habitantes. Aqui tem PETROLIO, muita ÁGUA, mas, a opressão é tão grande que o povo não sabe explorar suas riquezas. Povo muito pobre, carente, mas, de um sorriso encantador que nos transmitem muita alegria apesar da miséria que lhe cerca. O sorriso de um africano toca nossos corações e é impossível as lágrimas não inundarem nossos olhos. Contentam-se com tão pouco, pois, muitos só fazem uma refeição por dia.

Estamos em um contexto mulçumano e católico. Os mulçumanos de três em três horas, mesmo na rua, se reúnem para cultuarem a Alá. Algumas mulheres vestem burca que é uma roupa especial preta que cobre todo o corpo inclusive o rosto (escravidão do diabo, pois em pleno sol quente elas andam assim).

As pessoas não têm muita noção de higiene e fazem as suas necessidades fisiológicas nas ruas, em plena luz do dia.

Bissau é cercada por ilhas, 80 no total. Vinte Ilhas não são habitadas e em Dez destas Ilhas há Igrejas Evangélicas. Tivemos a oportunidade de irmos a uma (Gil de Galinhas), estando lá pude evangelizar uma feiticeira, junto com o Pr Fernando (líder da Igreja na Ilha) e a irmã Lourdes. Suas filhas freqüentam a igreja, mas ela e o esposo não freqüentam. Não acreditavam nas historias bíblicas que suas filhas lhes falavam. Explicamos a palavra de Deus. Ela tinha medo de morrer, caso aceitasse Jesus, por ter alguns “trabalhos” ainda para fazer. Mostramos o plano da salvação e a senhora Inez e seu esposo, o Oliveira, aceitaram a Jesus. Fizemos trabalho especial com as crianças, e damos assistência as pessoas realizando curativos, distribuímos medicamentos e aferindo pressão.

Há muitos casos de verminoses, leishimaniose, malaria e desnutrição principalmente entre as crianças e, entre as mulheres a queixa maior era de dores nas costas. (As mulheres carregam muito peso e lavam pratos e panos numa bacia no chão)

Ao, retornarmos da Ilha, fomos surpreendidos por uma pequena tempestade que durou quase duas horas , ficamos um pouco assustados . Quatro pessoas da equipe passaram mal, começamos a cantar e orar . O barco não virou. Mas uma vez podemos contar com a presença do Senhor Jesus e com a sua proteção.

Motivos de Agradecimentos: Por desfrutarmos da presença do nosso Deus desde da saída ai no Brasil até a nossa chegada aqui em Bissau. Sentimos-nos em casa porque o SENHOR está JUNTO de nós!

Por todo o trabalho realizado e por já ver frutos deste trabalho, para honra e gloria do nosso Deus. Na ilha, e nos Bairros de Kutumadina e Reno obtivemos a conversão de quase cem adultos. Mais de setecentas crianças ouviram a Palavra de Deus e mais de 400 adultos também ouviram o evangelho.

Motivos de Oração: Que nenhum membro da equipe adoeça.

Que nossas necessidades sejam supridas.

Que a equipe mantenha-se unida em prol do Reino.

Que os convertidos se firmem.

Pelos governantes. Para que estes se mobilizem para promoverem uma vida digna a um ser humano, como por exemplo, saneamento básico...

Que nos adaptemos a realidades tão diferentes das nossas (PRINCIPALMENTE A TEMPERATURA – 40 graus).

Sou grata por saber que podemos contar com a Igreja do Senhor Jesus.

Saudades de todos!!!!!

Maria do Carmo

sábado, 11 de junho de 2011

Carta aberta de Ricardo Gondim



Minhas coragens não tão corajosas

Tornei-me alvo de todos os crivos. Depois de devidamente rotulado, sinto-me dissecado, espiritual, moral e psicanaliticamente. Pessoas que não me veem há décadas, se sentem com liberdade de diagnosticar o que “vem acontecendo com o Gondim”. Não há como negar que me sinto incômodo com achômetros.

Faltam-me argumentos. Como explicar que não perdi a fé, que não apostatei, que não estou na ladeira do inferno e que não sou um Belzebu? Diante de juízos subjetivos, melhor calar. Não vale sequer lembrar que a tarefa de separar trigo e joio, sempre delicada, Deus reservou aos anjos e, ainda assim, para o fim dos tempos. Como justificar-me diante da presunção de que não há outro caminho para a espiritualidade que não seja o pacotão doutrinário, que os evangélicos se consideram legítimos guardiões?

Um rapaz de apenas 24 anos mandou-me uma mensagem insolente, mal educada. Notei que ele era apenas dois anos mais velho que o Pedro, meu filho. A princípio, meu estômago embrulhou; depois, uma leve taquicardia fez meu coração perder o ritmo. Logo, porém, pensei no futuro do jovem. Onde ele estará com a minha idade? Acalmei. E supliquei a Deus por sua alma.

Os dias são bicudos. Mas não vou fragilizar-me diante de algozes, ainda noviços na arte de difamar e enxovalhar. Não darei o privilégio de verem as lágrimas que derramo por escolher um caminho acidentado. Meus soluços, conhecem Deus, meu travesseiro e minha mulher. Permanecerei altivo em minhas colocações. Não, não me considero uma encarnação de Quixote. Minha altivez esconde o homem claudicante, fraco mesmo. Mas, à minha fraqueza, fiquem certos senhores e senhoras da reta doutrina, vocês nunca terão o privilégio de acessar.

Estou consciente de que devo explicações. Entretanto, antes de explicar-me, acredito que eu tenho que dar satisfações. Mas, dar satisfações a quem? Primeiro, à minha própria consciência. Devo trancar a porta do banheiro e, sozinho, olhar o que me espreita de dentro do espelho, e perguntar: “Aonde você quer chegar, cara?”. Beirando os 60, eu deveria já preparar-me para uma aposentadoria tranquila (eu sei que alguns torcem por isso). "Por que o risco de posicionar-se no que só traz prejuízo pessoal? Por que deixar as costas à mercê de quem maneja bem os punhais?". Respondo ao velhote que mira os meus olhos de dentro do espelho: “Faço o que faço pelo simples fato de querer ser coerente e honesto comigo mesmo e com Deus, que ergueu um tabernáculo em meu coração”.

Sei que é inútil o que vou dizer. Mesmo assim digo: Não desejo holofotes; eu já os tive. Não surfo no oportunismo midiático, em busca dos prosaicos quinze minutos de fama; eu sei azeitar um discurso pequeno-burguês e ganhar o favor de quem patrocina aventuras caríssimas na televisão. Conheço bem os truques do peleguismo religioso. Caminho nos corredores, sacristias e bastidores do meio desde a adolescência. Só que não consigo mais respirar esse ar viciado.

Por que falar em direitos civis de homossexuais? Pelo simples fato lembrar-me de Niemöller, o pastor luterano que bem expressou a passividade de sua geração quando a justiça foi pisoteada pelos nazistas: "Quando vieram atrás dos judeus, calei-me, pois não era um deles; quando vieram prender os comunistas, silenciei, eis que não era comunista; quando vieram em busca dos sindicalistas, calei-me, pois eu não era sindicalista; depois, vieram me prender, não havia mais ninguém para protestar e ninguém disse nada".

Não levanto a bandeira homossexual. Ela não é minha, eu não sou homossexual. Levando o estandarte do direito. Ele diz respeito não só aos homossexuais, mas aos religiosos, aos ateus, aos ciganos, aos deficientes. Quando a lei protege um segmento da sociedade, acaba por alcançar os que não fazem parte daquele segmento. Por que insisto em fazê-lo? Porque acredito que Jesus, o meu senhor e salvador, o faria.

Sim, concordo, tenho que dar explicações. Mas a quem? Devo explicações aos que acompanham as mudanças milimétricas que venho fazendo ao longo dos anos; pessoas que entendem as articulações que brotam de meus neurônios racionais e de minhas entranhas espirituais. Tenho certeza que elas se surpreenderiam se eu respondesse qualquer coisa diferente do que veio na entrevista. Prego todos os domingos e disponibilizo as mensagens na www.tvbetesda.com.br . Escrevo em um site/blog www.ricardogondim.com.br . Publiquei diversos livros. Meus pensamentos estão espalhados por aí. Meus parceiros não se assustaram com nada do que eu disse à Carta Capital. Pelo contrário, celebraram a oportunidade que tivemos de comunicar os valores do reino para outros que não fazem parte do movimento evangélico.

Por último, um hábil escritor sugeriu que eu estou em crise de fé. Eu sei que ele confunde fé com a aceitação da doutrina calvinista. Devo responder-lhe que tomo sua insinuação como insulto, mero xingamento. Reconheço, igualmente, que os rótulos de estar alinhando ao teísmo aberto, de ser liberal, humanista, ateu, para mim, não passam de simplificações de quem desejava calar-me. Alguns intuíram que seus discursos já não se sustentam diante da realidade concreta das pessoas, por isso, buscam desqualificar-me. Deixo claro: não retrocederei, mesmo xingado. Não há como voltar; puxei um novelo de significados e sentidos e estou fascinado com os fios. Cada nova descoberta me leva para mais perto de mim, do meu próximo e de Deus. Agora vou até o fim.

Ricardo Gondim
Soli Deo Gloria

Somos uma grande farsa



Por:
Alex Carrari

“Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” Mt 15.7-9

Salvo alguns que não se dobraram a baal, somos todos uns canalhas. Eu, você, nós todos somos uma grande farsa, a maior de todas as farsas. E sabe por quê?

Organizamos nossas vidas de modo que tenhamos o mínimo dispêndio com a garantia do maior e melhor retorno. Fingimos que somos de outra estirpe, a dos filhos prediletos. Como filhos prediletos, queremos ser restituídos, queremos de volta o que é nosso. Rejeitamos todo mal, declaramos a nossa vitória, quebramos todas as correntes, exigimos nossa benção, sacudimos o inferno, não por sermos de Espírito libertário, muito menos altruístas; reagimos às ameaças negativas do “no mundo tereis aflições”como bons invólucros do espírito do capitalismo, do que é nosso e ninguém tasca, sendo essa nossa ética gospelizante. Dos nossos guetos, claustros protegidos por hostes angélicas imaginárias, estabelecemo-nos nas estatísticas do emergente mercado com produtos alinhados com o exigente gosto do consumidor evangélico. “Enfim uma linha de produtos com a nossa cara” declara a perua de Jesus.

A cruz da vergonha, símbolo de assombro, pedestal do maldito, foi estampada com alegres cores e as vendas alavancaram. O peixinho antes solitário na rabeira dos carros agora endossa Filipenses 4.13, assim, não se dá satisfação para o significado de um ao passo que ninguém se atenta para o versículo anterior do outro. Podemos então astutamente declarar “tudo posso naquele que me fortalece” depurando nossa ganância, afinando o mau senso de que temos o rei na barriga. Na cara dura agradecemos a Deus por nossos sonhos de consumo se realizarem, mesmo que uma pequena – ou grande dependendo da gula do fiel – barganha tenha sido requerida para a liberação das bênçãos. A campanha dos vinte e um dias de Daniel não costuma falhar com aqueles que são, digamos mais liberais nas contribuições. Jesus é nosso chapa, e Deus dá honra a quem tem honra é o ditado e pretexto.

Comer a carne e beber o sangue do Filho do Homem é demais para nosso paladar requintado, queremos os manjares de Nabucodonozor, basta obedecer o Cristo em outra instância – que não a de tomar a cruz diária – e comeremos do melhor desta terra. A promessa concreta que é “Cristo em nós esperança da glória”, que permeia a história do Antigo e Novo Testamento, foi dissolvida, perdeu seu caráter e virou qualquer coisa, quem tiver a mais criativa imaginação que molde e determine a sua. Deus é Deus de promessa “mer mão” vocifera em saltos histéricos o pastor que se gabou de comprar um jato pela “pequena bagatela” de
doze milhões de reais com o dinheiro sabe de quem?

O mandamento era ide e fazei discípulos, e o que fizemos? Cínico proselitismo. E sabe por quê? Porque somos uma farsa e já percebemos isso, nossa casa caiu. Então arregimentamos novas “almas” para compor uma sofisticada logística do entretenimento em que o evangelho é servido via fast food, e a igreja para não ir a bancarrota por causa de sua insipidez importa fórmulas de crescimento, franquias norte-americanas compondo o pacote camisetas, canecas, bonés, manuais de auto-ajuda e sermões previamente arranjados. Somos uma farsa denunciada por nossos projetos megalomaníacos, mega-templos – com loja de conveniência e chafariz –, marcha para Jesus – ufanismo quantitativo –, assistência social – desencargo de consciência e escape do sentimento de culpa por sermos avarentos e egoístas –, descaso com missões – o que importa são as almas –, discipulado – catecismo de cacoetes, novas manias e antigas neuroses.

Criamos uma bem guardada resistência às histórias de sofrimento alheio quando o assunto é padecer pela causa do Cristo. A emoção corre solta durante o testemunho do missionário, e dura até no máximo a primeira oração da próxima reunião, quando o mundo volta a girar em torno do centro da terra, o umbigo das nossas panças bem forradas. Histórias como da pequena Nina de dois anos que vive com seus pais missionários embrenhada nas matas entre os ribeirinhos do amazonas, que está vomitando a dias com suspeita de algum parasita ter tomado sua barriga, é exemplo sabe pra que? Sabe qual a grande lição que guardamos das crianças ribeirinhas que adquirem doenças desconhecidas por comerem peixes contaminados por não terem outra opção? Que Deus é bondoso conosco e nos garante comida limpa e mesa farta – afinal o justo não mendiga o pão. Que esse é um forte indício para acolhermos nossos bens de consumo e agradecer a Deus por nossos filhos estarem a salvo dos perigos da pobreza.

No caso de sermos acusados por nossa própria consciência – o juiz que Deus nos colocou no íntimo – de que algo nessa trama não se harmoniza com as palavras do Nazareno, somos confortados com saídas bem satisfatórias, tipo: Deus tem um propósito nisso, ou, foram predestinados para esse fim, ou ainda, não chegou o tempo de Deus na vida desses coitados.
O drama de Nina é um dentre tantos dramas contados por aí sobre os que pagam um alto preço por proclamar a rude cruz com todas as suas implicações, que deveria deixar-nos envergonhados por habitarmos em belas e espaçosas casas, por termos comida boa, roupa nova, plano de saúde, igreja com banco confortável, projetos, sonhos, canecas, bonés e camisas floridas estilo Rick Warren.

Deveríamos nos arrepender por comermos contra-filé e tomarmos Coca diet enquanto nas eiras do norte e nordeste comunidades inteiras comem bife de cacto não sem antes beber a água. Nossa cara deveria enrubescer por um missionário ter seu sustento – que é ínfimo, migalhas que caem da mesa de seus donos – ser desconsiderado como prioridade porque outros projetos institucionais são de maior importância e urgência. Por projetos institucionais entenda a construção do mega-templo, o aumento do salário de parlamentar do pastor, o gasto com propaganda midiática da denominação, a manutenção do conforto dominical do contribuinte-consumidor, importação de produtos da franquia, etc.

Julgamos ser assunto de primeira ordem a conservação do excedente dos nossos luxos e prazeres inúteis. Morreremos pela boca, já que com a boca distorcemos o discurso do Cristo para satisfazer nossos prazeres e deleites quando pedimos o que não se deve pedir. Pedimos mal e nos prostramos sobre a proposta do tentador que habita em nós. Queremos tudo e tudo nos será dado se prostrados adorarmos o lado enegrecido da nossa alma. Desconfiados de que amanhã o maná não cairá, estocamos hoje o da semana e quando percebemos que a sobra azedou fazemos caridade com a comida que já não presta. Não há em nosso discurso e prática, equivalente lingüístico nem espaço físico para o nós, tampouco para o nosso. É o meu milagre, a minha vitória, a minha benção, eu, meu, eu, meu, meu, minha, meu, minha... É só crer e não duvidar que hoje o meu milagre vai chegar.

Do conselho de Paulo “Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” só consideramos o que do outro eu também almejo, seus bens de consumo. Com a cara lavada somos gratos a Deus por nosso padrão de vida estar se elevando ao passo que indiretamente afirmamos que Deus faz acepção de pessoas, já que pra mim aqui no sudeste é prometido uma terra que mana leite e mel, enquanto no norte e nordeste outros comem cacto não sem antes beber a água.

Somos a maior farsa de todas, pois, corrompemos a maior história de todas. Por conveniência dizemos coisas que o Cristo não disse e omitimos outras que ele disse. Caso nossa estabilidade e tranqüilidade – que com muito custo conquistamos domingo a pós domingo, mensagem após mensagem, louvor após louvor, dízimo após dízimo – seja de alguma forma ameaçada sacamos logo de uma fala de Jesus e entoamos um mântra para amarrar todo mal. Assim proclamamos, por uma questão muito mais de fazer novos prosélitos e mostrar que detemos o monopólio da verdade do que propriamente amor ao outro, um Jesus que nunca conhecemos.

Diógenes circula com uma lanterna no meio dos crentes em pleno meio dia procurando algum sábio sem que o possa achar.
Os sábios não estão entre nós, estão existencialmente no exílio, onde até as pedras estão clamando. Elias não fazia a menor idéia, mas sete mil ainda não tinham se dobrado, pois estes estavam fora do grande eixo, não possuíam nome nem imagem. Deus não esta no templo. Deus clama no deserto e o batista lhe empresta a voz.

O sal se tornou insípido. A luz está colocada de baixo do alqueire. A casa foi construída na areia. O Cristo está à porta, mas não lhe abrimos passagem. E juramos de pé junto com base nas estatísticas que estamos certos.

sábado, 4 de junho de 2011

"LEVITAS" OU "LEVADOS"?


Por

Antônio Pereira da Costa Júnior*

“Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem”.

(João 4.23)

Não existem mais adoradores como antigamente. Uma grande parte dos chamados “levitas” de hoje desconhecem os princípios elementares das Escrituras; não sabem tocar, não analisam o que cantam e o melhor que fazem é pavonearem-se nos cultos. Muitos deles são alimentados pelos holofotes de mega-igrejas, ou até mesmo de velas e candelabros de razoáveis congregações. Eles coam mosquitos e engolem camelos. E o único compromisso que tem é com eles mesmos.

Alguns se acham “levitas”, mas são, de fato, “levados”. Levados em dois sentidos: o primeiro, no sentido de serem desobedientes e arrogantes, como meninos insubmissos que são. São “levitas” enquanto estão tocando, terminando o compromisso, saem do templo e abandonam a adoração. Grande parte deles vive dando trabalho aos pastores e líderes. E se algum ministro tira o pirulito de suas bocas malditas logo eles fazem uma rebelião, à semelhança de Lúcifer, mas tendo um melhor resultado do que este, pois, não são expulsos, e sim, expulsam tais pastores que ousaram mexer no “status quo”.

E o que mais me impressiona é a falta total de discernimento dos membros idiotados das igrejas. Para estes, basta ouvir alguma música bem tocada que acham que isso é adoração. Aplaudem, dão glória, e não percebem que a única glória que estão dando é para os "levitas". Alimentando assim a doença e causando uma grengena maior ainda na adoração, que tem de tudo, menos a presença de Deus.

Num segundo sentido, são levados por vozes discordantes da igreja hodierna, pois acompanham as ondas e manias gospels da atualidade. São levados pela música da moda, com belas harmonias, mas sem letra. São levados pelo "hit" do momento, alimentando o "Show da Fé". Pelo grupo famoso que vende milhões de cópias a cada turnê. Daí, as vozes e “ministração” dos “levitas” têm que parecer com aqueles, pois “libera” a unção. São robôs programados para entreter as cabeças ocas da igreja evangélica no Brasil. E com isso, criando mais um círculo vicioso do mundo gospel.Se existem "levitas" assim é porque existem pessoas dispostas a alimentar o circo. Pois o que o povo "crstão" precisa é de pão e circo.

No entanto, a Palavra nos ensina a prestarmos um culto digno ao Senhor, com salmos, hinos e cânticos espirituais (Ef 5.18-20; Cl 3.16). O “levita” – se é que podemos chamá-los assim, pois os modernos diferem em muito daqueles do Antigo Testamento – é simplesmente um servo; deve ser a luz do mundo e o sal da terra e não aquele que sobe no pedestal da glória humana esperando receber ovações.

Um exemplo interessante é que num site de um cantor gospel famoso, cujas músicas eu particularmente gosto, da maioria delas, existem algumas exigências, dignas de astros da música secular, para que ele possa “louvar”. O que ele chama de “nossas necessidades”, são elas:

- Transporte terrestre e/ou Transporte aéreo;

- Traslado durante o período em que estiver a disposição da programação;

- Hospedagem de toda a equipe em hotel;

- Alimentação (incluindo água no interior do hotel sem que arquemos no momento do check-out);

- Estrutura do evento (palco, som, iluminação, modelo de teclado solicitado pelo escritório, a bateria também tem que ser aquela solicitada pelo escritório)

- E: Outras necessidades serão passadas após o preenchimento do formulário.

Fora o “cachê” para o mesmo poder marcar presença. "Adorar a Deus". Que Deus? Mamon? Ou como diria os Paralamas do Sucesso: "A arte de viver da fé. Só não se sabe fé em quê".

Mas, creia, não sou pessimista, nem tudo está perdido. Ainda existem grupos, cantores, músicos e servos que ainda prezam pelo compromisso com Deus. Existem hinos, embora cada vez mais raros, que ainda glorificam ao Senhor e são recheados da Palavra. Através dos verdadeiros adoradores o Espírito Santo ainda fala aos nossos corações. São adoradores compromissados com o Eterno que Ele se agrada. Pois, “o Pai procura a tais que assim o adorem”.

O Pai “procura” verdadeiros adoradores. Você entende isso? A busca não é humana. Não depende de talentos, dinheiro, instrumentos musicais, templo climatizado, beleza ou qualquer qualidade inerente no homem como um todo. Alguns “levitas” acham que por se pavonearem-se na adoração, Deus irá receber seus louvores. Precisamos entender também, como homens falhos que somos, que o compromisso é com o Eterno e não com nosso ego. O nosso compromisso é com o Senhor e ninguém mais.

Creio, repito, através dos verdadeiros adoradores o Espírito Santo ainda fala ao nosso coração. São adoradores compromissados com o Pai que Ele se agrada. Pois, “o Pai procura a tais que assim o adorem”. A minha oração é que cada “levita” possa dizer com sinceridade: “Que Ele cresça e que eu diminua”.

Adora-se a Deus não pelo que Ele nos dá, mas por quem Ele é. Portanto, que toda a glória, adoração, poder, honra e louvor seja dele, e apenas dele, a quem devemos tudo, para sempre. Chega de tantos levitas levados. Que Deus tenha misericórdia de todos. Amém.

SOLI DEO GLORIA NUNC ET SEMPER

Pr. Antônio Júnior