domingo, 20 de dezembro de 2009

A vontade de Deus

Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus. (Sl 143.10.)

Estou cercado de muitas vontades. Nem todas surgiram dentro de mim. Algumas foram incutidas em mim. Vieram de fora e ganharam terreno aqui dentro. Tenho, portanto, vontade própria, vontade adquirida e vontade imposta. Desse incrível sincretismo resultaram vontades boas e vontades más. A confusão das vontades exige um paradigma, que é a vontade de Deus. Ela vai me ajudar a discernir entre a vontade boa e a vontade má. Todas as minhas vontades devem ser submetidas à vontade de Deus. Preciso ser capaz de “experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).

O pedido que o salmista dirige a Deus é bastante oportuno: “Ensina-me a fazer a tua vontade, pois tu és o meu Deus” (Sl 143.10). Embora a vontade de Deus muitas vezes contrarie a vontade própria, o salmista cresceu a ponto de declarar: “Tenho grande alegria em fazer a tua vontade, ó meu Deus; a tua lei está no fundo do meu coração” (Sl 40.8). De fato, “os que pertencem a Cristo crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos” (Gl 5.24).

A vontade de Deus não é uma exibição de poder e de autoridade, não é uma desmancha-prazeres. Muito ao contrário, a vontade de Deus é protetora, é guardiã da verdadeira felicidade, é a propulsora do verdadeiro sucesso, é tremendamente abençoadora. Portanto, precisa ser aprendida, seguida, obedecida e guardada.

Além da oração do salmista (“Ensina-me a fazer a tua vontade”), é preciso orar também o Pai Nosso: “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mt 6.10).

Retirado de “Refeições Diárias com o Sabor dos Salmos” (Editora Ultimato, 2006).

domingo, 13 de dezembro de 2009

Misericórdia


Elevo a minha voz ao Senhor, suplicando misericórdia. (Sl 142.1.)

Não quero uma casa na cidade, outra no campo e uma terceira na praia. Não quero um carro importado. Não quero dinheiro, não quero fama, não quero poder. O que eu quero é misericórdia. Para ser mais preciso, o que eu quero é a misericórdia de Deus.

Era misericórdia que o salmista pedia a Deus: “Elevo a minha voz ao Senhor, suplicando misericórdia” (Sl 142.1). Ele fazia isso em alta voz, aos gritos, à semelhança de Jesus quando entregou o espírito a Deus às três horas da tarde na sexta-feira da Paixão (Lc 23.46). Não porque Deus tenha problema de audição, mas porque o salmista queria clamar com força total.

Quando Deus demora a mostrar ou a derramar a sua misericórdia, o salmista, aflito, pergunta-se: “Esqueceu-se Deus de ser misericordioso? Em sua ira refreou sua compaixão?” (Sl 77.9). E implora: “Não me negues a tua misericórdia, Senhor” (Sl 40.11). Então explica por que não pode abrir mão de suas misericórdias: “Pois incontáveis problemas me cercam, as minhas culpas me alcançaram e já não consigo ver” (Sl 40.12). O sentimento de urgência por vezes é muito grande: “Vem depressa ao nosso encontro a tua misericórdia, pois estamos totalmente desanimados!” (Sl 79.8).

O salmista era um eterno cliente da misericórdia divina porque não se sentia merecedor de bênção alguma da parte de Deus. Frente à absoluta santidade de Deus e frente à sua absoluta pecaminosidade, o poeta não tinha méritos para mostrar nem para colecionar. Ele batia no peito e dizia: “Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador” (Lc 18.13). Ele vivia da maravilhosa graça!

Retirado de “Refeições Diárias com o Sabor dos Salmos” (Editora Ultimato, 2006).

domingo, 29 de novembro de 2009

O cuidado de Deus

Ainda que eu passe por angústias, tu me preservas a vida da ira dos meus inimigos. (Sl 138.7.)

Em nenhum momento, Deus promete isentar-nos da dor, do imprevisto, da angústia nem da morte. Em nenhuma passagem das Escrituras, encontramos fundamento para esperar uma existência sem sofrimento. Ao contrário, a Palavra de Deus nos faz saber dos percalços da vida. O primeiro aviso foi dado ao primeiro ser humano logo após a queda porque foi ela que tornou viável o sofrimento: “Maldita é a terra por sua causa; com sofrimento você se alimentará dela todos os dias da sua vida” (Gn 3.17). O outro solene aviso foi dado por Jesus: “Neste mundo vocês terão aflições” (Jo 16.33). O que Deus promete é estar conosco em todos os momentos, principalmente nos períodos de dor.

Certo disso, o salmista abre-se diante de Deus: “Ainda que eu passe por angústias, tu me preservas a vida da ira dos meus inimigos; estendes a tua mão direita e me livras” (Sl 138.7).

Ele já havia mostrado essa certeza e essa confiança em situações ainda mais dramáticas: “Mesmo quando eu andar por um vale de trevas e morte, não temerei perigo algum, pois tu estás comigo” (Sl 23.4).

O salmista repousa não na promessa jamais feita de ausência de sofrimento, mas na promessa sempre repetida da presença do Senhor em meio ao sofrimento: “O Senhor está comigo, não temerei” (Sl 118.6).

Não se pode esperar o que Deus nunca promete. É preciso tomar todo o cuidado com a interpretação de suas promessas. Os dois caminhantes de Emaús esperavam a redenção política de Israel e não a redenção da culpa do pecado (Lc 24.20,21). No que diz respeito ao sofrimento, a promessa de Deus é clara: “Na adversidade estarei com ele; vou livrá-lo e cobri-lo de honra” (Sl 91.15).

Retirado de “Refeições Diárias com o Sabor dos Salmos” (Editora Ultimato, 2006).

domingo, 8 de novembro de 2009

Grupo Logos

Debaixo do arado

Passaram o arado em minhas costas e fizeram longos sulcos. (Sl 129.3.)

Não foram tapas nas costas, não foram açoites. O sofrimento foi muito maior que o sofrimento provocado pelos tapas e açoites. O que os opressores fizeram com Israel foi fazer passar por suas costas o peso de um arado, cujas lâminas lhe abriram profundos sulcos (Sl 129.1-3).

Esta é a história do povo eleito quando se tornou numeroso e poderoso na terra do Egito, muito tempo depois da morte de José, quando subiu ao trono egípcio um rei que desconhecia a história de seu próprio povo no que concerne aos períodos das vacas gordas e das vacas magras (Êx 1.7-10). Esta é a história do povo eleito em não poucas outras ocasiões, como na época do cativeiro babilônico e na época do chamado holocausto, quando 6 milhões de judeus morreram na Europa.

Mas não são apenas as costas dos hebreus que têm marcas profundas abertas pelas lâminas do arado. As costas negras dos africanos e de quase todos os povos subjugados e oprimidos pelas nações poderosas também estão cheias de “longos sulcos”.

Apesar de todo o sofrimento, apesar das costas amassadas pelo peso do arado e manchadas de sangue, Israel que o diga: “Jamais conseguiram vencer-me” (Sl 129.2).
Porque, depois do sofrimento, vinham a convicção do pecado, o arrependimento e a conversão, o que, por sua vez, trazia em seu bojo mais um período sem o arado e sem as lâminas. Então, Deus mesmo libertava a nação “das algemas dos ímpios” e fazia retroceder envergonhados “todos os que odeiam Sião” (Sl 129.4,5).

Retirado de “Refeições Diárias com o Sabor dos Salmos” (Editora Ultimato, 2006).

Imagens do Congresso de Adolescentes 2009